sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Seja você a pessoa certa







“O sucesso do casamento é muito mais do que encontrar a pessoa certa; é uma questão de ser a pessoa certa.” –B. R. Bricker

O elemento mais comum no imaginário amoroso das pessoas do séc. XXI é, talvez, o da “pessoa certa” ou “the one”. Estou cansado de ouvir frases assim: “Ainda não encontrei a pessoa certa”ou “Será ele o cara certo para mim?”. A “pessoa certa” para quem, para o quê? Para o grande “eu”, foco de nossas atenções. Para a importantíssima “minha felicidade”, claro.
A pessoa certa é aquela cujos atributos se acoplam perfeitamente com todos os nossos desejos, hábitos, vícios e peculiaridades. Se sou carente, quero um superprotetor traumatizado (traído da última vez que ficou ausente). Se gosto de vinho, adoraria um homem que seja quase um sommelier. Se sou fascinado por peitos, uma mulher tábua não me serviria.
Tal lógica seria perfeita em um mundo intocado pela impermanência. O problema é que nossas preferências, hábitos e desejos mudam a todo instante. Já tivemos nossas fases gastronômica, carente, acadêmica, cultural, caseira… E assim fomos trocando de parceiros. A situação a que chegamos hoje é simples de resumir: além das relações líquidas, as que tentam ser duradouras dificilmente escapam de situações de traição, adultério e muita, muita dor.
O que aconteceria se invertêssemos essa lógica? Se, em vez de procurarmos pela pessoa certa, tratássemos de ser a pessoa certa? A seguir, vou rascunhar algumas possibilidades nessa outra direção. No entanto, só saberemos se pularmos, mergulharmos e incorporarmos essa outra lógica com nossos poros, retinas, veias. Quem pular nesse abismo, depois passe aqui e nos conte como foi.

A lógica do oferecer

Uma boa metáfora para contrastar as duas abordagens: se estiver em dúvida entre duas pessoas, não escolha a mais engraçada, mas a que ri de suas piadas. Ou seja, não escolha a que tem mais a lhe proporcionar, e sim aquela que mais pode se beneficiar com o que você tem a oferecer.
Em vez de focar suas energias em encontrar alguém belo, contemple seu próprio corpo e faça surgir beleza dele. Em vez de ficar esperando por alguém inteligente, apenas distribua sua inteligência para qualquer um. Seja a pessoa certa, sem esperar resultados ou retribuições de qualquer tipo.
Se você é mulher, não busque olhares. Irradie aquilo que você não precisa de espelhos para ter a existência confirmada. Se é homem, não pense que o amor é aquilo que você recebe. Seu amor é aquilo que você oferece. Isso ninguém tira, isso você leva junto para onde for.
Estava há pouco conversando com um amigo em conflito. Ele deseja vir trabalhar em São Paulo, mas tem uma namorada há 5 anos em sua cidade. Em um dos momentos, disse: “Posso ir a São Paulo, fazer sucesso profissionalmente e nunca encontrar um amor”. Ora, o amor ele trará junto, nunca será encontrado, só direcionado para outra. Se ele cultivar esse amor, é possível que consiga reconquistar a namorada atual quando voltar à cidade natal anos depois. Se ele voltar esperando receber amor, dificilmente conseguirá conquistá-la novamente.
Reconhecendo a impermanência (sem fugir ou ignorá-la), podemos amar com liberdade. Renunciamos a realização de nossos impulsos neuróticos, largamos os ganchos e oferecemos nossas habilidades para o deleite de nosso parceiro. Na verdade, é isso que sempre desejamos, sem saber como realizar.
Após um fim de namoro dolorido, nossa felicidade não surge quando descobrimos que podemos ser amados novamente. Sentimos a vida pulsar apenas quando descobrimos que podemos amar outra pessoa. É a capacidade para o amor que nos alegra. Nossa felicidade não vem do outro tanto quanto vem de nossa própria potência inata de amar e produzir felicidade em todas as direções.

O amor livre como um antídoto ao adultério

Algumas pessoas que já me ouviram falar em “desvincular o amor do amado”, ao propor algo que às vezes chamo de amor livre, reagem com um desconforto e defendem a fidelidade monogâmica – como se “amor livre” significasse poligamia ou justificasse o adultério. Pelo contrário, uma pessoa só trai porque se sente incapaz de reconstruir o amor, curar a relação, sentir-se viva novamente diante do outro e, assim, fazê-lo renascer diferente.
Na verdade, o amor é livre de fixações, livre de personagens, livre até mesmo dos parceiros que os manifestam. Se depender dos condicionamentos que o trazem à tona, ele terminará quando o casal afundar. Mas o amor oferecido não cessa, não é mesmo? Ele é amplo, vasto, todo abrangente. O amor recebido, este sim cessa.
Qual não é nossa surpresa quando percebemos que, logo após o fim, seguimos com a potência de trazer felicidade ao outro? O amor não cessa pois ele é essa abertura ao outro, essa capacidade de oferecer, oferecer, oferecer. Se podemos sempre oferecer, é sinal que sempre temos amor, mesmo quando parece que ele nos foi arrancado de dentro do peito.
Mostro abaixo, ao mesmo tempo que deixo um desafio a homens e mulheres nesse fim de ano, como o amor livre favorece a fidelidade (não o contrário) e diminui o impulso à traição.

Recado para os homens

Faça-me um favor. Descubra logo que você pode conquistar e amar qualquer uma. Seja você rico ou pobre, feio ou bonito, você tem tudo o que é necessário para fazer qualquer mulher feliz. Basta liberar seu amor, sem fixações, hesitações ou dúvidas. Enquanto não perceber que seu amor é livre, você continuará testando-o com várias. Enquanto sentir seu amor acabar, você terá de dormir com outras garotas para resgatar sua potência vital.
Uma vez solto, canalize tudo em apenas uma mulher (a menos que você realmente consiga fazer duas felizes sem causar complicações, o que hoje duvido ser possível em nossa sociedade). Depois, tome cuidado para não confundir foco com fixaçãoSeu amor nunca será dela para que sempre seja dela, momento a momento, em um processo incessante de escolha e liberdade.
Assim que você vincular seu amor a ela, ele parecerá surgir de fora e você o sentirá como vindo dela para você. É nesse momento que você pára de oferecer, ou seja, pára de amar. Quando a relação acabar, você terá a certeza de que ela levou seu coração, apagou o Sol e deixou a sala vazia, sem amor algum. É esse o outro lado da “pessoa certa”.

Sugestão para as mulheres

De uma vez por todas, sinta-se inteira como sendo o amor que você busca nos olhares e espelhos do mundo. Você já é aquilo que espera ouvir de um homem. Você já está na ilha paradisíaca de seus sonhos, abraçada e acariciada com declarações de amor. No momento em que você sente que precisa de amor, a carência inunda seu corpo até o ponto em que você precisará de outro olhar para voltar a ser bela.
Para você também: seu amor nunca será dele para que seja sempre dele. Enquanto você transpirar amor por todo lado, terá o que oferecer e portanto poderá ser totalmente dele. No instante, porém, que você precisar dele para respirar, você não mais conseguirá oferecer e terá de exigir o amor dele.
Você se lembra dos momentos em que mais foi feliz e aberta? Na maioria deles, havia um outro em cena? Sem querer, vinculamos todas essas sensações a uma ou outra pessoa. Se elas deixarem de proporcionar essas sensações, você será obrigada a buscar um outro que resgate todas as alegrias e toda a beleza que você já vivenciou. Um outro homem que veja beleza em você e movimente tudo aquilo que você desconfia da existência mas não sabe bem como encontrar.
Durante essa busca por amor, você fará muitos homens sofrer. O primeiro vai olhar e revelar beleza. O segundo revelará ainda mais. O terceiro a levará para locais que os dois primeiros nunca sequer vislumbraram. O quarto finalmente a fará mulher. O quinto ensinará todos os prazeres do sexo. O sexto… Até quando? Quando chegará o “The One”? Sinta agora seu corpo, inspire sua beleza, deite-se sobre a certeza de que você já é mulher. Totalmente, inteiramente, deliciosamente mulher. Como a face feminina do amor, ofereça-se ao mundo de corpo e alma. E se ainda quiser causar dor nos homens, produza um outro tipo de dor, if you know what I mean… ;-)

É esse meu desejo para todos os casais. Homens e mulheres completos, um oferecendo ao outro aquilo que nenhum precisa, aquilo que ninguém nunca quis ou pediu (como ensina Contardo Calligaris). Amor necessário é horrível. Amor bom é igual arte: inútil, completamente descartável… e belo.

Declarações de amor: 10 sugestões para você surpreendê-la(o)


O que faz um bom presente ou uma boa declaração é uma mistura de personalização (quanto mais único, melhor), poesia (tem de significar algo além de si mesmo) e inserção na vida da pessoa amada (realização de um desejo antigo, por exemplo). Além disso, se a declaração levar algum tempo e fizer com que você se transforme no processo, aí sim o outro transbordará de felicidade. Listo abaixo algumas sugestões que contemplam um ou mais desses quatro itens: personalização, poesia, inserção e transformação. Algumas já fiz, outras ainda não. As sugestões se adequam a homens e mulheres. Para facilitar, porém, direcionei minha linguagem ao público masculino. Deixem suas sugestões nos comentários para enriquecer essa lista!



1. Jantar em silêncio
Conduza-a por um jantar em silêncio repleto de respirações, olhares e toques. Não faça em casa: o ideal é que seja em público, em um restaurante mesmo. Leve um bloco de notas para que vocês se divirtam com bilhetinhos entre si. Ficará ainda mais gostoso se vocês não pronunciarem nenhum som e usarem bilhetinhos até mesmo com o garçom. Não tenham medo do (inevitável) ridículo. E leve a brincadeira a sério, caso contrário a vergonha dela será maior do que a diversão. Ah, você pode ousar até mesmo no simples ato de marcar o encontro…

2. Audiotour pela cidade

 Um percurso de uma hora no qual as pessoas são guiadas por um MP3 Player e caminham por vários locais da cidade em busca da resolução de um mistério policial. Por que não fazer isso com sua mulher? Escolha um local, vá até lá para se certificar, volte, abra o Google Maps e use o Audacity para gravar as orientações. Você pode deixar algum presente escondido debaixo do banco de uma igreja, fazer o percurso acabar em um restaurante com você dentro, em um motel ou em uma loja na qual todas as atendentes já estão avisadas: “Olha, eu deixo pago e ela compra o que ela quiser dentro desse valor, pode ser?”.

3. Blog secreto

Use os serviços gratuitos do Wordpress ou do Blogger para criar um blog privado (em ambos, há a opção de não deixá-lo público) e comece a escrever com bastante freqüência sobre sua relação com ela. Relate sensações, percepções e pensamentos que não contou na hora. Descreva em detalhes a noite passada. Escreva para você mesmo, para ela, para o mundo. Alterne discursos com a idéia de que ela acessará o blog depois de algum tempo – é isso que difere essa sugestão de uma outra mais simples que descrevi há algum tempo. A declaração pode durar um mês ou um ano, você decide. Já imaginou um presente assim de 10 anos? É claro que você corre o risco de levar um pé na bunda antes de revelar o blog… Ainda assim, você terá treinado um amor desprendido de expectativas, que se declara sem sequer precisar que o outro nos ouça.

4. Dança de salão às escondidas

Essa é simples: sem que ela saiba, matricule-se em um curso de dança de salão. Diga que seu chefe inventou reuniões semanais ou simule qualquer situação do tipo. Para acelerar seu aprendizado, escolha apenas um ritmo. Salsa e gafieira são ótimas pedidas. Tango já será mais complicado se sua mulher não tiver experiência alguma. Depois de uns 6 meses, vá com ela a um lugar que toca o que você já sabe e convide-a para dançar. Atenção: essa sugestão não é recomendada para mulheres! É muito provável que o homem sinta-se constransgido por não conseguir acompanhar e ainda por cima fique nervoso ao saber que sua mulher ficou esse tempo todo dançando com outros. Parece machista, mas é muito mais fácil uma mulher inexperiente ser conduzida por um bom cavalheiro do que um homem iniciante dançar com uma dama treinada.

5. Os dias da semana

Um presente para cada dia da semana. Na segunda, ela desfrutará de um, na terça de outro, e assim por diante. Quinta-feira pode ser um livro de poesia, sexta-feira uma calcinha quase transparente, sábado um sabonete de menta… O presente é menos importante do que a idéia de acompanhá-la em seu cotidiano, expandindo sua presença na vida de sua parceira.

6. Transformação

Pare de fumar, coma menos, faça musculação, abandone a raiva ou o orgulho, medite, aprenda alguma coisa, desaprenda várias outras… Transforme-se para ela, deixe que sua vida se torne um presente a ser lentamente degustado por sua mulher. Porque presente bom não se dá, se oferece. Para conseguir tais transformações, use toda aquela energia e potência que surgia bem no início da relação, quando você queria sexo e fazia de tudo para levá-la para a cama, lembra? Você passava dias inteiros planejando noites inesquecíveis, se vestia bem, comprava presentes, dirigia por horas seguidas, abria portas, perguntava “Está frio demais aqui dentro?”, e tudo aquilo que um homem presente e atento faz. A potência que deseja sexo é a mesma que deseja amar. E amar é isso: agir a favor da felicidade do outro.

7. Agenda

Compre uma agenda e a preencha inteira, dia após dia, com anotações, declarações, lembranças (”Nesse dia, há dois anos, nós fizemos…”), coisas que você quer fazer com ela em tal dia, conduções (”Ouça agora essa música…”), loucuras, propostas e insights. No início de janeiro, entregue e peça que ela use como uma agenda convencional e também como uma forma de dialogar com seus escritos.

8. Album erótico

O processo, não o resultado, é a melhor parte dessa declaração. É gostoso pedir as poses, olhar, fotografar, beijar, deixar a câmera cair, editar, imprimir, montar, entregar… Tire fotos de ângulos improváveis, use o Photoshop e faça surgir uma mulher que nem você conhece. A nudez é opcional. Você pode mostrar para ela enquanto edita ou somente ao final. Você pode pedir para que ela faça poses ou pode fazer tudo em absoluto segredo (enquanto ela dorme, por exemplo).

9. Mestre-cuca

Assim como o curso de dança de salão proporciona uma noite de giros e pernadas, um curso de culinária pode promover alguns jantares deliciosos. Escolha o tipo e se matricule: tailandesa, japonesa, árabe, francesa… Tudo em segredo para a grande surpresa, claro.

10. Outra luz na Avenida Paulista

É uma pena que não consegui fazer essa declaração! Preparei tudo, escrevi, planejei… Mas sabe quando a temperatura muda abruptamente? No dia escolhido, a logística não permitiu; no seguinte, já não havia mais espaço. Com declarações, o momento é talvez o mais importante de todos os fatores. Uma mesma ação pode causar prazer ou desconforto, dependendo da temperatura da relação.

A idéia é usar um vasto espaço público significativo para o casal e fazer dele um ambiente imersivo para o amor. Escreva um texto e divida-o em vários cartazes (poucas palavras por cartaz e reticências). Vá ao local no fim da tarde. Leve algum tipo de cola ou fita adesiva. Planeje um percurso e saia colando cartazes em locais protegidos e estratégicos. Marque de encontrá-la em algum lugar perto do início do percurso (após o pôr-do-Sol), invente algum programa que justifique uma caminhada e conduza-a pelos cartazes usando uma lanterna. Peça a ela silêncio e vá lentamente focando cada um dos cartazes.
No fim, você pode deixar as últimas palavras por baixo da sua camiseta (e apontar a lanterna para si próprio) ou simplesmente apontar para o céu – depende do texto, dos caminhos do seu amor por ela. Eu escolheria a Avenida Paulista e deixaria também alguns cartazes perdidos em arbustos ou dentro de alguns locais (prateleiras ou bancos na livraria Cultura, por exemplo). Seria sábado à noite, com muito movimento e vida ao redor. Como perdi minha chance, ofereço a idéia para que outros possam fazê-lo. O que importa não é quem faz, o que importa é a abertura impessoal que brota disso.
Para quem quiser pedir em casamento, há um outro fim para essa declaração. Converse com umas 20 pessoas (estranhos, se tiver coragem e dinheiro, ou amigos) e peça para que elas fiquem no final do percurso com cartazes em mãos, todos com a mesma pergunta: “Quer casar comigo?”. Eles serão a sua voz, uma expansão de seu corpo. Após a caminhada com o texto preparatório, você chega com sua mulher e dá um sinal: todos se agrupam de repente e mostram os cartazes. Serão 20 “Quer casar comigo?” direcionados a ela! Aí basta se ajoelhar, tirar a aliança do bolso e…


9 dicas para casais que moram juntos

Morar junto é uma delícia. Fato. O problema é que tal afirmação não se sustenta por muito tempo sem alguns entretantos e todavias, ou sem muita generosidade e disposição. Hoje lembrei de alguns momentos e decidi compartilhar 9 meios hábeis para que homens e mulheres aprofundem a relação e evitem o cansaço. Alguns deles eu já fiz, outros apenas imaginei.

1. Façam amor com a rotina
Em vez de fugir ou evitar (desculpe-me, mas ela é inevitável), façam amizade com a rotina e eventualmente levem-na para cama. Acordar todo dia junto, ver o outro se levantar como sempre faz, escovar os dentes andando pela casa, abrir os mesmos armários da cozinha, tomar o mesmo café, comer sempre a mesma coisa, dar o mesmo tipo de beijo, o mesmo abraço, trocar as mesmas palavras, fazer o mesmo percurso, fechar a porta de um jeito igual ontem, anteontem e semana passada… Nem sempre a saída é mudar a rotina, tomar café na cama, preparar surpresas, fazer sexo matinal, dar outros beijos e abraços etc. Há limite para o novo. Podemos ter prazer com o habitual, com o velho, o convencional. É ele nosso verdadeiro parceiro. É ele que todo dia está lá, enquanto que a aventura nos abandona logo no dia seguinte.

2. Explorem um local inusitado



A rotina tediosa tem a capacidade de incorporar até mesmo as novidades. Todo casal tem um leque de possíveis ações: sua liberdade configura sua própria prisão. Quando desejam inovar, eles vão jantar em um restaurante indiano (mês passado foi um mexicano). Ou o homem sempre a convida para shows – diferentes, claro, mas sempre shows. Não há problema algum nisso, mas às vezes é interessante ir além desse processo. Para tanto, visitem juntos um local que vocês nunca sequer imaginariam adentrar. Para casais conservadores, pode ser um casa de swing. Vocês não precisam seguir o comportamento das pessoas, apenas sentir o prazer em estar ali, observando e namorando em meio àquilo tudo. Lembrem-se que muitas paixões começam quando duas pessoas, no meio de uma festa, por exemplo, sentem-se completas alienígenas e assim se aproximam.
 
3. “Oh happy day!”



Diante da impermanência da vida, como traçar uma linha permanente que observaria e sorriria para as oscilações do casal? Mais ainda, como acessar esse casal transcendental que morre de rir com os vários casais que passam pela casa no passar do tempo? Não me lembro quando tudo começou, só sei que diariamente (antes de sair para trabalhar ou à noite) nós tirávamos uma foto como sendo o casal “Oh happy day”. Depois de um tempo, havia mais de 50 imagens nossas: abraçados, se olhando, se beijando, sorrindo, entediados, com sono, olheiras, sujos, arrumados, bêbados, bonitos, limpos, horríveis. Éramos todos eles, mas não éramos nenhum deles. Antes de tudo, éramos o casal que batia as fotos, não apenas os que tinham sido capturados. (Uma variação é segurar um papel A4 com a data escrita, de modo a facilitar a montagem de um calendário do casal).






4. Semana do desafio


Idéia bem simples: 7 dias, 7 tarefas que ele propõe a ela, 7 práticas que ela oferece a ele, 7 recompensas para ele, 7 recompensas para ela. Ao fim de cada dia, trocam-se as recompensas se as tarefas foram realizadas. Para que ela peça a ele, deixo algumas sugestões: “limpe a casa inteira”, “anote em um papel todas as vezes que você sentir orgulho, raiva ou preguiça durante o dia”, “medite por 30 minutos”, “envie um SMS a cada hora para mim”, “visite de surpresa a minha mãe”. Para que ele peça a ela: “limpe a casa inteira” (hahhaha), “passe o dia contraindo os músculos pélvicos e treinando pompoarismo”, “anote em um papel todas as vezes que você sentir raiva, carência, ansiedade ou medo”, “tome banho frio” (tem de ficar dentro do banheiro para se certificar – e rir, claro)… As recompensas podem ser sexuais ou não. Pimenta a gosto do casal.






5. Mês da gastronomia mundial


Preparem um roteiro gastronômico pela cidade (a propósito, aproveitem o Restaurant Week que vai até dia 31/8). O ideal é que seja mais de um restaurante por semana e de cozinhas diversas: árabe, espanhola, indiana, egípcia, mexicana, tailandesa, coreana, francesa, italiana, alemã… O importante é marcar isso de algum modo, não apenas sair convidando um ao outro como se fosse um jantar casual. Decidam um mês e, de preferência, repitam no ano seguinte.






6. Façam um curso juntos


Muitos casais se esquecem de que um dos maiores prazeres da vida a dois é construir mundos compartilhados. Quem não atenta a isso corre o risco de acabar vivendo em um universo completamente distante do mundo habitado pelo parceiro. Para construir mundos, nada melhor do que aprender juntos. Matriculem-se naquele curso de sommelier que vocês sempre adiam, no tango que só imaginam fazer no fim da vida ou na meditação sobre a qual têm conversado.






7. Comprem um batom roxo


Ah, o batom roxo! Se quiser associar boas lembranças a esse simples objeto, faça o seguinte. O homem pode comprar um batom bem forte (roxo ou lilás, em homenagem a este blog que vos fala) e deixar no quarto com um bilhete: “Use-me sempre que estiver explodindo de tesão”. Caso a mulher compre, o bilhete pode ser: “Tá vendo isso aqui? Guarde bem essa cor pois ela estará na minha boca sempre que eu estiver precisando de algo que só você tem”. Aí, no meio de uma noite qualquer, ela lendo, ele no computador, ela se levanta, passa o batom exageradamente e somente aparece na sala… Ah, o batom roxo!






8. Elogiem-se


Parece uma sugestão boba, mas não é. Depois de anos, os elogios diminuem como se tudo já tivesse subentendido, como se as qualidades do outro já tivessem sido exaustivamente afirmadas. Não deixe de pronunciar mesmo os elogios mais óbvios: “Você está linda hoje”. Se for necessário, se a preguiça virar cegueira ou se o outro não contribuir com beleza suficiente, por favor minta ou então encontre algum detalhe luminoso no meio da monstruosidade alheia: “Eu simplesmente amo a sua nuca!”. Mulheres, saibam que poucos elogios já deixam um homem forte e seguro, do jeitinho que você tanto gosta. Quando tudo vai mal, o pior que você pode fazer é criticá-lo – isso o enfraquece. Homens, eu não preciso dizer que as mulheres ficam ainda mais bonitas quando elogiadas, né?






9. Casem


Antes de morar junto, por favor, casem. A mudança dos móveis consolida um casamento de qualquer modo, apenas admitam e superem qualquer aversão a essa instituição falida. Ela ainda movimenta o imaginário coletivo: mesmo para os casais mais moderninhos, a afirmação “somos casados” é bem diferente do que “moramos juntos”. Além disso, morar junto sem festa de casamento e lua-de-mel é como ir a praia, enfrentar trânsito para chegar, ser picado por mosquitos, pagar caro pelo guarda-sol e não entrar no mar. É cair na pior parte do casamento sem aproveitar a melhor. Se não quiserem enfrentar papéis e não simpatizarem com religião alguma, apenas celebrem: chamem os mais próximos, dancem, se declarem publicamente ao som da música mais linda e comecem uma vida a dois só depois de chegar do aeroporto.

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